O Envelhecimento no Fundo do Mar é a Nova Fronteira da Viticultura?
Nos últimos anos, os vinhos subaquáticos têm ganhado destaque no cenário vitivinícola, oferecendo um método inovador de envelhecimento que utiliza o fundo do mar como adega natural. Inspirados por descobertas arqueológicas e experimentos ousados, produtores de todo o mundo, de Napa Valley à Geórgia, estão explorando os benefícios de submergir suas garrafas e ânforas.
Com condições perfeitas de temperatura, pressão e ausência de luz, o oceano se tornou o novo terroir para vinhos de caráter único. Mas será que essa técnica realmente impacta o sabor e o valor dos vinhos? Descubra tudo sobre esse método revolucionário e como ele está sendo usado por vinícolas de renome mundial.
A busca por métodos e processos, sejam eles tradicionais, sejam inovadores, é constante no mundo do vinho. Hoje, os vinhos em ânfora renasceram. Ao mesmo tempo, surgem barricas hipertecnológicas.
Ao longo dos anos, enólogos vêm testando novas técnicas para criar rótulos cada vez mais incomuns. E nessa onda (quase literalmente) aparece uma nova categoria, os vinhos “subaquáticos”.
Essa “moda” é relativamente recente. Ao que parece, ela tomou força há cerca de 10 anos, quando uma equipe de mergulhadores no mar Báltico encontrou 168 garrafas de Champagne em um navio naufragado.
Entre elas, havia 48 de VeuveClicquot datadas de 1839 a 1841. Os vinhos foram analisados e percebeu-se que várias garrafas mantiveram boas condições e estavam aptas para consumo.
Em um primeiro momento, especialistas disseram ter encontrado aromas não muito agradáveis, contudo, surpreenderam-se com o frescor da bebida depois de tantos anos. Logo em seguida, as garrafas foram leiloadas e algumas alcançaram quase US$ 15 mil.
A partir daí, pipocaram produtores que resolveram experimentar o envelhecimento de vinhos debaixo d’água. Acredita-se que, antes desse momento, porém, um dos primeiros produtores a testar o envelhecimento subaquático foi o espanhol Raúl Pérez, em 2003.
Na época, ele mergulhou garrafas de Albariño de Rías Baixas no oceano por 60 dias. Diz-se que outro pioneiro, Piero Lugano, da vinícola Bisson, na Ligúria, tentou o método em 2008 por “necessidade”, quando viu que sua adega simplesmente não tinha espaço suficiente para envelhecer os espumantes produzidos. Assim, mergulhou 6.500 garrafas no mar, retirando-as no ano seguinte.
Mais recente são os projetos empreendidos por nomes como Mira Winery, no Napa Valley, Château Larrivet Haut-Brion, de Bordeaux, Cavas Submarinas, do Chile, o grupo Miolo, do Brasil, e a própria VeuveClicquot, que decidiu empreender um teste logo após a descoberta das garrafas no Báltico – criando o que eles chamaram de “Cellar in theSea”.
Fonte: Revista Adega
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